sábado, 27 de junho de 2009

Como se faz um soneto - Capítulo 10

Matemática poética

Métrica
Ritmo
Rima

Soneto perfeito
Soneto clássico

14 versos
4 estrofes :2 quartetos e 2 tercetos

E assim se faz o Soneto:

Na métrica

14 versos decassílabos na quantidade de sílabas fonéticas ou 10 sílabas

Na rima

Quartetos
rimas em número de duas e amarradas

Tercetos
rimas amarradas mas com variação

No ritmo
ritmo no soar das sílabas em cada verso

Há também sonetos Alexandrinos

Enfim, soneto deve ser "um pensamento de ouro num cárcere de aço".

Preferia que soneto fosse um pássaro livre sem rumos pra voar, apenas a desenhar no céu, o voo, pelo simples prazer de voar.

Confesso:

Ainda não sei sonetar!

Quase parei - Capítulo 9 - Rita Minuncio

Acordei...
Feliz!
Fui ver os Ipês, agradecida por não ter chovido
Iria ser uma pena
Tudo tão lindo!

***
Pensei quão lindo seria um encontro de Alberto e Cecília sob os Ipês floridos.
Minha rua cor-de-rosa

***

Quase parei

Quantas vezes eu parei
Parei por não saber regras
Por não entender normas
e paralisei toda obra, na dúvida incerta

Mas, algo em mim, grita forte
quer explodir sem ter razão
são as palavras que vem a mente
oriundas do coração

Mas, do que norma textual
faz parte do sentimental
meio irracional

E assim, para meu deleite
me permito esse desleixe
sou poetiza, afinal!

( não sei sonetar...será isto um mal?)

A voz - Capítulo 8 - Rita Minuncio

Simplesmente uma voz
A que não disse
A que se calou
Tão somente, ela

Ouvindo tua voz
quase melosa
quase dengosa
no entanto forte, estrondosa
como cachoeira
caindo em pedras
Tua voz vai até os recônditos
cantinhos da alma
Nos poemas de Florbela
Espanca
Espera.
Acalenta
e dorme.
Tua voz é melodia
que ao fim do dia
aquece
acalma
incorpora
inodora
com cheiro de pura primavera.
É doce ouvir tua voz
nos doces versos de Florbela,
canta e encanta a poesia.

***

Alberto vai decidido a dizer tudo.
Ele a ama perdidamente.
Vence a poesia!

A volta - Capítulo 7 - Rita Minuncio

Por onde andará Alberto?
Num quarto branco, pequeno.
Vê-se uma cama de solteiro
um edredom
um espelho
uma figura refletida
sente o aroma de Cecília
a entrar pela janela entreaberta
a invadir
a seduzir
a inebriar
Fecha os olhos e a percebe
como num sonho
ali está
Estende as mãos para tocá-la
foge na intensão
sobra o ar
Atrai...
Alberto vai
Cecília o espera
O que levar?
O que falar?
Apenas sai atraido por ela.

Tempo de poesia - Capítulo 6 - Rita Minuncio

És incenso...

Há um momento pungente
que toca o coração da gente
como um sábio encantador
encantando uma serpente

Neste momento, anestesia
a alma paira no silêncio
O coração palpita e distancia
de si mesmo, és incenso

Incenso que em fumaça se esvaia
aromatizando o ar, inebriando sai
por portas, janelas, portais

É o encontro do eu em si
um olhar pra dentro revela
uma vida em forma fugaz

***

Acarício minha alma enquanto escrevo
é o momento mais doce do meu ego
eu o sacio, satisfaço-lhe os desejos
ouço um a um os seus segredos
trago a tona os seus medos
vou me traduzindo em versos
me deslumbro nesse enredo
até adormecer!

Consegues me perceber?

Cecília dorme em meus pensamentos.
Somos duas a adormecer agora.

Este é o momento em que a poesia nasce!

sexta-feira, 26 de junho de 2009

As mãos - Capítulo 5 - Rita Minuncio

E ela vem.
Cabelos ao vento
Longos, rebeldes, encaracolados
Brilhantes, castanhos, fio cá, fio lá...
Vestido leve, solto, esvoaçante.
Rosa, azul, lilás...
Pés no chão.
Cecília é toda ilusão.
Cecília é toda sedução.
A voz de Cecília ecoa na imensidão.
Cecília é aquele ser que vem de mansinho e entra no nosso coração.

Vai Cecília...minha poesia é tua...
Uma a uma em tuas mãos.

E fui colocanco os poemas ali, naquelas mãos.

Confiei em Cecília,mas que em mim mesma.

Tempo real - Capítulo 4 - Rita Minuncio

Tempo real.
Hora de deixar devaneios.
Sou eu que volto dos sonhos.
A vida cobra isso. Acorde. Os ipês já floriram.
Meu livro ainda por fazer. Poesia, minha vida.
Encantos, desencantos de poetiza.
Agonia.
Alegria.
Tempero. Sal. Sabor.
O que agrada ao leitor?

Cecília insiste em voltar.
Insiste em dividir espaço com minhas poesias.
Uma autêntica leitora, crítica, voraz, devoradora.
Que personagem intrigante é esse? Doce Cecília, amada de Alberto.
Filha única.
Só.
Apaixonada.
Sensível.
Forte.
Volta Cecília...
Tenho várias poesias para entreter seu dia..

Marcas - Capítulo 3 - Rita Minuncio

Novo Sol
Sinal de novo dia
Tudo novo
Respira fundo, como a colher do dia seu mais precioso e puro alimento.
Revigora. Espreguiça. Sorri e desperta.
Estende os pés em direção ao chão a procurar um par de chinelos.
O que Cecília precisa é sentir o chão.
Chão debaixo dos seus pés e saber que pode pisar firmemente, sem cair.
Então, lembra-se de Luciana.
Doce saudade lhe vem a mente.
Onde estará Luciana?
O que irá pensar quando souber que Alberto se foi, sem poder falar.
Luciana era a única que sabia o que exatamente se passava com seu coração. Uma lágrima corre pela face pálida de Cecília.
Onde estará Luciana? Precisava saber...

Como num estalo, vem lhe a mente a frase dita por ela...Cecília, a vida não é um palco em que as pessoas entram e saem de cena, como se interpretassem, sem deixar vínculos, sem deixar saudades. É preciso fazer laços, amarrá-los ao coração e depois soltá-los. As marcas é que ficam. Com elas lá, nada se dissolve tão rápido. Mesmo que se ausentem, há uma presença insistente, invisível e ardente do amor.

O pensamento acalenta. Boa amiga a Lu...
E a saudade passa, pelas marcas que ela deixou em Cecília.

O vento - Capítulo 2 - Rita Minuncio

O que escrever...
O dia passa e com ele um momento.
Poderia ter sido diferente?
Uma pergunta paira no ar com sede de resposta.
A única que se tem é que ele se foi.
Juntamente com o tempo, foi-se o momento.
Momento de Alberto e Cecília.
Neste pensamento, Cecília se levanta e caminha em direção ao vento.
Vento que bate forte nas folhas caídas no outono.
Ouve-se o som das aves.
Ouve-se o som de folhas pisadas.
Ouve-se o som que não disseram enquanto tiveram tempo de dizer.
Tempo de dizer...
Cecília olha ao longe, vê apenas o horizonte que levou sem bem.
Abre o livro e lê quase em sussurros...

...Que vento é este que leva os pensamentos?
...Quem cala esse tormento de não ter alguém?
...Ouve-se o vento, mas no intento, perde-se o bem.

Cantarola, um dia volta...

Devaneios - Rita Minuncio - Capítulo 1

Algo inglês, sofisticado
me lembrou chá
num dia frio
Sol no gramado
um longo jardim
uma dama de vestido branco
chapéu de tule e cetim
De repente
alguém se aproxima...
um cavalheiro
elegantemente vestido
lhe traz um livro
E o que me faz lembrar desse sonho
é o meu nome na capa
Um dia de poesia
com Rita Minuncio
Não consigo tirar os olhos da capa
Mas a cena prossegue
Cecília, a tão meiga dama
abre o livro
seus olhos sorriem de felicidade
e ela murmura
Doces versos
entre bebidas de chá
o meu preferido
Cravo, canela e laranja
O perfume do chá
se confunde com o das flores
mas o sabor é inigualável
Ela se distrai em pensamentos
Ele se conforma
perdeu-a por alguns momentos
disfarça, se afasta em passos lentos
logo Cecília percebe
lá vai Alberto..
E também o perde
por um bom tempo.